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Local: Bahia, Brazil

17 dezembro, 2005

Jornalismo, literatura e recursos da internet

O escritor e editor da revista literária Arraia PajéUrbe, Carlos Emílio Corrêa Lima, faz uma crítica à ausência de espaço para literatura nos jornais do Brasil e a sub-utlização dos recursos da internet nos jornais e revistas. Como exemplo de boa formatação da literatura, que consiste numa experiência lúdica possibilitada pela internet, ele sugere a revista Mnemozine. Confira o texto e a revista virtual!

A falta de literatura na imprensa de papel e a contra-revolução internáutica

Por Carlos Emílio Corrêa Lima, de Fortaleza

Por que os jornalões nacionais (era assim, de jornalões, que a turma da primeira fase do Pasquim, entre capixabas, mineiros, cariocas e baianos apelidava os grandes diários de papel impresso das velhas cidades-chave do país, Rio e São Paulo) não têm um caderno, pelo menos, semanal, de contos e ficção em geral misturado com páginas intensificadas de poesia? Não há espaço nenhum para a criatividade textual, para as emanações do imaginário. A notícia mosaica e remosaica a chamada realidade, tornando-a cada vez mais áspera. A literatura é posta às margens e seus agentes criadores transferiram-se para as catacumbas eletrônicas da internet, criando uma nova religião que hoje parece atormentar com sua incontrolável rebeldia, sua entusiasmada heresia, as acostumadas autoridades eclesiásticas da antiga hierarquia literária que ainda controla os pontos de poder da imprensa não-virtual dominante pois você quase não precisa de dinheiro nenhum para criar um "blog" ou para inserir uma inventiva e poderosa revista eletrônica de literatura na rede mundial. Percebemos alguns sinais de que os plenipotenciários que dão as cartas de legitimidade literária sentem-se cada vez mais incomodados pois não estão podendo - e não têm mesmo como - impedir a expansão do novo espaço que se abriu quase infinito. Estão atordoados. Todos os que foram banidos por eles da geração literária anterior (onde orgulhosamente eu me incluo) vão voltando a ter espaço numa região onde eles não podem dar pitacos hegemônicos. Eles agora não sabem muito bem mais o que fazer quando percebem o seu poder sacerdotal ameaçado. As vestais estão com muito calor, começam a sentir uma comichão no corpo inalcançável pelas mãos, tentam coçar-se mas é numa região inabordável. Começam pois a fazer gestos bizarros, movimentos meio cômicos. As vestais estão em chamas. (...)