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Local: Bahia, Brazil

04 Setembro, 2005



Jornalismo e Literatura: entre o amor e o ódio.
Por Aline D'Eça

Humanização da narrativa. O jornalismo literário (ou jornalismo narrativo) é uma forma de narrar os fatos de forma sensível e envolvente, que tem como ponto marcante a presença de pessoas e suas histórias de vida na narrativa, fugindo à estrutura mais rígida do jornalismo convencional, como o lide, sem contudo escapar à apuração ética e criteriosa das notícias. Para isso, o repórter costuma “mergulhar” na realidade que pretende descrever, captando-a com mais profundidade, e utilizar recursos da literatura (como observação, descrição, narração, estilo e uso de símbolos e metáforas) para tornar o seu texto mais atraente. O livro-reportagem, a biografia, a grande reportagem, o perfil e o documentário audiovisual são alguns gêneros do jornalismo literário.



No livro “Aos olhos da multidão”, o jornalista e escritor norte-americano Gay Talese (foto), autor de vários livros-reportagem, afirma que o incipiente jornalismo literário “não é ficção. É tão verídico como a mais exata reportagem, buscando embora uma verdade mais ampla que a possível através da mera compilação de fatos comprováveis, o uso de citações, a adesão ao rígido estilo mais antigo. O novo jornalismo permite, na verdade exige, uma abordagem mais imaginativa da reportagem e consente que o escritor se intrometa na narrativa se o desejar, conforme acontece com freqüência, ou que assuma o papel de observador imparcial, como fazem outros, eu inclusive. Procuro seguir discretamente o objeto de minhas reportagens, observando-o em situações reveladoras, anotando suas reações e as reações dos outros a eles. Tento absorver todo o cenário, o diálogo, a atmosfera, a tensão, o drama, o conflito e então escrevo tudo do ponto de vista de quem estou focalizando, revelando inclusive, sempre que possível, o que os indivíduos pensam nos momentos que descrevo”.



A fusão entre Jornalismo e Literatura, no entanto, não é novidade. No Brasil, as reportagens sobre Canudos do jornalista Euclides da Cunha (ilustração), publicadas no jornal Estado de S. Paulo, deram origem ao livro que se transformou num clássico da literatura brasileira : “Os sertões”. Mas muitos ainda vêem com estranheza essa união entre Jornalismo e Literatura. “O jornalismo sempre foi a prostituta, quando a esposa amada era a literatura”, explica o professor e jornalista Hélio Consolaro no artigo “Jornalismo e Literatura: dois irmãos que se rejeitam”. Por outro lado, existem os escritores que afirmam terem tido no Jornalismo uma escola para a literatura. Mas a polêmica é ampliada na década de 60 nos Estados Unidos. Estreitando as relações com a literatura, jornalistas como Tom Wolfe, Truman Capote, Gay Talese e Norman Mailler, entre outros, deixaram de lado os mitos da “neutralidade” e “objetividade” do jornalismo, e investiram em textos jornalísticos apresentados com características literárias, o que viria a ser chamado de New Journalism.
Polêmicas à parte, em meio a essa relação de amor e ódio, surge no Jornalismo um lugar para os bons contadores de histórias, para os jornalistas-escritores, que não se contentam com a limitação de tempo e de espaço, com dados e estatísticas, e se preocupam em fornecer ao cidadão o outro lado da notícia; justamente aquele onde ele pode se ver retratado.

3 Comments:

Blogger Jornal das IES said...

Ver com estranhamento a união de Jornalismo com Literatura é não te conhecer. Aqueles que te conhecem sabem que essa união é perfeitamente conciliável... Vc é puro jornalismo e poesia, amiga! Boa sorte com o blog!

8:41 AM  
Blogger Débora Fernandes said...

Acho que essa disciplina será um prazer...

11:00 AM  
Blogger Manu said...

Pelo visto a tentativa de confeccionar seu primeiro blog tem mostrado que a senhorita é uma ótima artesã. Um interessante blog, bem tecido, escrito com aquela leveza que nos faz escorregar pelo texto.

5:03 PM  

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